Blog do Ricardo Rodrigues

Março 26, 2008

O que há de comum entre o genocídio no Sudão e a China?

Arquivado em: Mundo — blogdoricardorodrigues @ 11:44 am
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Resposta: muita coisa. O Sudão, um dos países mais pobres da África, situado em uma desértica área do norte do continente, atraiu a atenção do mundo por dois motivos.

O primeiro é o conflito racial que ocorre na região. São famílias e vilarejos inteiros expulsos de seus lugares, quando não mortos na hora, além da violência sexual contra as mulheres. Há casos de pessoas que cruzaram todo o deserto para se refugiar dos seus perseguidores muçulmanos lá em Israel. É uma distância considerável: se você olhar no mapa, o Egito inteiro está no meio do caminho.

O segundo motivo é o interesse da China naquilo que está embaixo das areias do país: o petróleo. O país asiático investiu milhões de dólares na extração do commodity para alimentar seu crescimento acelerado e enorme consumo. Além disto, vendeu armamento para o país.

Qual o problema disto tudo? Com o investimento chinês no país, fica praticamente impossível a comunidade mundial pressionar o Sudão, através de sanções e retaliações, para que a crise humanitária chegue a um fim. É claro que nenhum outro país é santo, quantos já não investiram em países problemáticos de olhos fechados, sem o mínimo de interesse no que ocorre internamente? Mas com esta situação, qualquer iniciativa na região não passará de discurso político ou tropas da ONU agindo como observadores, sem fazer muito a respeito. Enquanto entrar dinheiro no Sudão, os muçulmanos da região continuarão a fazer o que quiserem com as tribos tradicionais do país.

As olimpíadas deste ano serão uma prova de fogo para o partido que dirige o gigante asiático. Acostumados a comandar o país à revelia, agora eles terão que enfrentar a opinião mundial e sua conseqüente pressão.

Mas, os dirigentes do país dificilmente cederão em seus investimentos no Sudão ou farão alguma pressão ao governo do país. Com uma demanda interna gigantesca por petróleo, esta parece uma decisão que passa longe dos interesses chineses.

E a África sai perdendo, mais uma vez.

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